enero 5, 2016 Vania Colaco

Olinda Colaço “The Art of painting glass”

Homaje to Olinda Colaço at the National Glass Museum in Portugal

Maria Olinda Gomes Roldão Colaço, conhecida como Olinda Colaço, é uma artista exímia na pintura em vidro, cujo trabalho esteve patente em várias exposições nacionais e internacionais.

Filha de Tomás de Oliveira Roldão, funcionário público, e de Zulmira da Conceição Gomes Roldão, doméstica, Olinda nasceu na Marinha Grande em 1945 e desde cedo deixou-se cativar pelo desenho.

Na Escola Industrial foi aluna dos professores Calazans Duarte e Nery Capucho. Talvez tenha herdado a sua mestria do pai, que tinha grande talento para a pintura e chegou a elaborar o catálogo da fábrica Angolana em aguarela.

Olinda tirou o curso de Formação Feminina com 19 anos, no qual adquiriu muita prática a desenho, cujo talento foi reconhecido por Nery Capucho que a incentivou a ingressar na Escola de Belas Artes. Tal não aconteceu porque o pai não autorizou, mas Olinda não se arrepende: o seu percurso artístico não sofreu influência de ninguém, as suas opções foram livres e sem quaisquer condicionalismos.

O seu sonho era a escultura mas optou pela pintura por ser a que lhe dava mais garantias de futuro. Integrou o grupo de trabalho da “Gisarte”, uma fábrica de decalcomanias, onde trabalhou três anos. Criou uma série de desenhos dos jogadores de futebol do Sporting e do Benfica e obteve a exclusividade dos desenhos para o programa televisivo “Carrossel Mágico”.

Em 1966, com 21 anos, conseguiu autorização da Disney para realizar a título exclusivo todos os desenhos da história da Branca de Neve e os Sete Anões. Nesse ano, a pedido da Câmara Municipal de Leiria, elaborou o primeiro pergaminho para o Vaticano. Dois anos depois sucederam-se outros dois pergaminhos, pedidos pelas autarquias de Marinha Grande e Leiria.

Trabalhou na empresa José Rolando Gomes da Silva – Roland Decal até 1981, onde chefiou as secções de desenho, fotografia e serigrafia, e foi desenhadora criadora, autora de centenas de autocolantes sobre o 25 de Abril de 1974. Paralelamente elaborou o primeiro catálogo a cores para a Fábrica-Escola Irmãos Stephens.

 

Incentivada pelo marido a prosseguir a sua arte, decidiu dedicar-se inteiramente às artes plásticas em 1980. O talento outrora escondido revelou-se nas diversas exposições que participou. Desde 1973, ano da primeira exposição realizada em Leiria, no âmbito da inauguração da Galeria Capitel, Olinda Colaço sente o reconhecimento público pelo seu trabalho, impregnado de emoção e ternura nos motivos que adota para as suas peças. A versatilidade de técnicas também é notória, desde pintura a óleo, a aguarela, em vidro ou aplicação em biscuit, assume cada peça como “uma experiência constante”.

Teve sempre um fascínio muito grande em pintar o vidro porque não há segunda oportunidade, “não há retoques”, em caso de erro há que apagar e fazer de novo.

Começou este desafio em 1980 com a criação de uma linha de peças em vidro de cor, pois além de realçar a pintura a cor condiciona o motivo a pintar. Nesse ano realizou a sua primeira exposição exclusivamente com peças em vidro, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Marinha Grande.

 

Chamou a si a responsabilidade pelo desenho das peças em vidro e dos respetivos moldes, sendo as mesmas produzidas na fábrica Ivima exclusivamente para si, e nas quais criou um estilo único de decoração no vidro a fogo – são mais de 10 mil as peças pintadas e que estão espalhadas pelo país e pelo estrangeiro. Por motivos de saúde teve de abandonar este tipo de pintura mas nem por isso deixou de trabalhar, abraçando novas experiências artísticas.

Entre 2002 e 2010 foi formadora na área da pintura em vidro, no Crisform, e em 2006 foi alvo de homenagem pela Câmara Municipal da Marinha Grande, na 6ª Bienal de Artes Plásticas, como reconhecimento pela sua carreira.

Valoriza a troca de experiência, a aprendizagem e partilha de técnicas, que lhe permite evoluir artisticamente e produzir peças únicas e de qualidade ao longo de quase meio século de inspiração e talento.